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Raposo 3

O retrocesso da "Nova Raposo"

Sem diálogo com moradores, projeto de R$ 9,7 bilhões impõe lógica rodoviarista e ameaça o meio ambiente na Zona Oeste

O projeto de concessão “Nova Raposo”, idealizado pelo governador Tarcísio de Freitas com a anuência do prefeito Ricardo Nunes, tornou-se o centro de um intenso debate urbanístico e ambiental na capital paulista.

Orçado em R$ 9,7 bilhões, o plano prevê a ampliação de pistas, a construção de viadutos, túneis e a instalação de seis pórticos de pedágio com o sistema free flow entre São Paulo e Cotia. No entanto, a proposta enfrenta forte oposição de moradores, urbanistas e movimentos sociais, que apontam graves impactos socioambientais e a falta de diálogo público na elaboração do edital.

Especialistas em planejamento urbano advertem que o projeto ignora a realidade do território. O trecho afetado, que se estende do Alto de Pinheiros até o Rodoanel, deixou de operar como autoestrada e consolidou-se como uma densa avenida urbana.

A intervenção pretendida impõe uma lógica rodoviarista ultrapassada, que incentiva o transporte individual motorizado na contramão das tendências globais, que buscam priorizar o investimento em transporte público.

A comunidade local alerta para o risco de desapropriações em massa, impermeabilização de áreas de contenção de enchentes, agravamento de ilhas de calor e a supressão de milhares de árvores cinquentenárias no Butantã. Ambientalistas apontam ainda que o traçado ameaça nascentes e fragmenta áreas remanescentes de Mata Atlântica.

No âmbito institucional, a vereadora Luna Zarattini tem atuado na linha de frente da contestação ao projeto, endossando o manifesto assinado por mais de 50 entidades de bairro sob a coordenação do movimento “Nova Raposo Não”. A parlamentar e as associações denunciam o esvaziamento da participação popular no processo. O governo estadual realizou apenas duas audiências públicas híbridas com divulgação restrita, inviabilizando um debate democrático amplo com a sociedade civil organizada.

A oposição defende que a solução para os gargalos de trânsito na região passa pela municipalização e urbanização da via, priorizando investimentos em transporte público de massa, como corredores exclusivos de ônibus e a expansão da rede de metrô, além de infraestrutura cicloviária.

O mandato da vereadora e os movimentos locais exigem a suspensão imediata das tratativas do leilão até que os impactos sejam profundamente revisados de forma transparente e participativa.