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A LUTA PELA UPA DO CANGAÍBA
Com UBSs e AMAs sobrecarregadas, moradores cobram novo serviço para pôr fim aos deslocamentos até o Tatuapé
A mobilização popular no Cangaíba, com forte atuação do Fórum da Pessoa Idosa da Vila Silvia, expõe o drama cotidiano de cerca de 230 mil moradores que dependem da rede pública de saúde. Atualmente, a comunidade local trava uma batalha pela construção de uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) 24h, apontando um terreno disponível na região da Vila Silvia como o local ideal para o equipamento.
Sem essa estrutura de complexidade intermediária no bairro, quem enfrenta uma emergência médica é obrigado a se deslocar por longas distâncias até o Hospital Municipal do Tatuapé. Na prática, a ausência da UPA estrangula o atendimento local e sobrecarrega as Unidades Básicas de Saúde (UBS) e as Assistências Médicas Ambulatoriais (AMA) da região, que operam rotineiramente acima da capacidade.
Essa luta dialoga diretamente com o histórico do Movimento de Reforma Sanitária brasileiro, nascido na década de 1970. Foi essa articulação de médicos, intelectuais e movimentos populares que rompeu com o modelo antigo, onde a assistência médica era restrita a quem tinha carteira assinada.
Com o fim da Ditadura Militar, a Constituição de 1988 criou o Sistema Único de Saúde (SUS) sob o princípio de que a saúde é um direito de todos e dever do Estado. No entanto, a consolidação desse sistema universal e igualitário enfrenta o subfinanciamento crônico e desigualdades na oferta de serviços.
No Cangaíba, os moradores sofrem na pele essa distorção: embora o SUS garanta o direito formal, a falta de equipamentos adequados no território nega o acesso pleno e integral à saúde perto de onde o povo vive.
As UBSs são a porta de entrada do SUS, voltadas para o acompanhamento contínuo, vacinação e controle de doenças crônicas. As AMAs, por sua vez, foram desenhadas para queixas agudas de baixa complexidade, como resfriados e pequenos ferimentos. Nenhuma delas, porém, funciona no modelo de plantão 24 horas estruturado para urgências clínicas e traumáticas mais graves, que exigem estabilização rápida e classificação de risco, papel que cabe às UPAs.
Conquistar a UPA Cangaíba é uma exigência concreta de dignidade, justiça social e cumprimento real do legado histórico da Reforma Sanitária nas periferias paulistanas.