Territórios
Jabaquara, Cursino, Ipiranga, Cidade Ademar e Pedreira

Um mandato presente nos bairros, ouvindo as pessoas e construindo soluções para a região.

Presença da Luna na Região

TRAGÉDIA ANUNCIADA NAS VÁRZEAS DA ZONA SUDESTE

População cobra ações urgentes da prefeitura para evitar novos alagamentos na próxima temporada de chuvas

Quem vive ou trabalha nos distritos do Jabaquara, Cursino e Cidade Ademar, na Zona Sul de São Paulo, enfrenta o mesmo drama a cada tempestade: o medo de perder tudo para as águas.

No início deste ano, a Avenida Cupecê e a Avenida Miguel Estéfano, duas das principais artérias viárias da região, voltaram a ficar completamente inundadas após fortes pancadas de chuva. O cenário de caos se repete mesmo com a presença de três piscinões projetados exatamente para conter as cheias na região.

A recorrência dos alagamentos prolongados expõe que o atual sistema de microdrenagem da capital paulista está saturado e desatualizado frente aos eventos climáticos extremos e à acelerada emergência climática global.

Especialistas em engenharia hidráulica e urbanismo explicam que a dependência exclusiva de piscinões já não basta. Muitas dessas estruturas na Grande São Paulo foram desenhadas há mais de duas décadas, calculadas com base em séries históricas de chuva que ficaram obsoletas.

Com o tempo, o acúmulo de lixo, terra e detritos no fundo dos reservatórios reduz drasticamente a capacidade de armazenamento. Além disso, a urbanização desenfreada cobriu os bairros com camadas de asfalto e concreto, impedindo a infiltração natural da água no solo.

Diante do colapso da infraestrutura, a prefeitura tem cogitado soluções violentas, como a remoção massiva de famílias que habitam as margens de córregos há décadas. Presente na linha de frente desse embate, a vereadora Luna Zarattini tem travado uma luta contundente ao lado dos moradores da Zona Sul, exigindo que as obras de contenção avancem sem que o povo trabalhador seja despejado de suas casas ou empurrado para o desamparo.

A superação das inundações exige uma guinada radical na gestão urbana da cidade, trocando o cinza do concreto pela “infraestrutura verde”.

Arquitetos e pesquisadores defendem soluções baseadas na natureza como a única saída viável no longo prazo. Isso inclui a criação de parques lineares ao longo dos córregos, abertura de jardins de chuva nas calçadas e a instalação de biovaletas para ajudar o solo a respirar e absorver a água antes que ela chegue às avenidas.

Urbanizar e garantir segurança climática nas quebradas da Zona Sul é urgente, mas manter o direito à moradia digna das famílias é inegociável. A periferia exige respostas estruturais eficazes, e não o abandono de suas comunidades sob a lama.