A Comissão de Finanças e Orçamento da Câmara Municipal de São Paulo realizou na noite desta quarta-feira (15/4) uma Audiência Pública para discutir o tema: “O processo de desapropriação do Complexo Esportivo Campo de Marte e da sede do tradicional Samba do Cruz da Esperança”.
A vereadora Luna Zarattini (PT) disse que a sede do “Cruz da Esperança precisa ficar. Nossa luta não pode ser apagada. Aqui é um berço de artistas e atletas. Essa concessão da forma que está sendo colocada, não nos representa. Não aceitamos isso”.
A audiência aconteceu na Rua Marambaia, no bairro da Casa Verde, zona norte da cidade – local onde está o complexo. O espaço é um ponto de referência para a comunidade negra, para a cultura do samba paulistano e ao esporte amador.
De acordo com os frequentadores do local, o caso ganhou repercussão depois de denúncias sobre a proibição do “Samba da Cruz”. Segundo eles, a remoção dos campos de várzea faz parte de um processo de valorização imobiliária na zona norte, já que o Executivo defende a regularização e novos usos para o terreno do Campo de Marte por meio da desapropriação.
Após decisão de desapropriar o terreno, a Justiça deu prazo de 60 dias para que o time de futebol de várzea local desocupe a área. A medida gerou protestos de lideranças comunitárias, que veem na ação uma ameaça ao patrimônio histórico e cultural da região.
Uma das diretoras da agremiação, Keize Oliveira, chamou a determinação de “apagamento cultural”. Ela contou que há décadas são realizadas atividades sociais, culturais e recreativas voltadas à população de baixa renda. “Não podemos deixar que acabem com a cultura do povo preto, com as tradições do samba e com esse local tão especial para nossa comunidade”.
O bailarino Felipe Cirilo também falou sobre a luta pela preservação do local. “Temos que nos defender e lutar contra esses atos de racismo por parte dos governantes. Vamos resistir e lutar pela nossa cultura”.
Danilo de Barros Nunes, superintendente do Iphan-SP (Instituto do Patrimônio Artístico Nacional), lembrou da importância da entidade enquanto patrimônio.
“Eu recebi o pedido de tombamento do Samba do Cruz, mas aqui dentro já tem a capoeira que é patrimônio cultural, além de um terreiro. Temos que proteger e trabalhar pela proteção da cultura afro-brasileira. Precisamos preservar nossos quilombos”, disse Danilo.
Alessandro Azevedo representou o Ministério da Cultura. Ele assumiu um compromisso público. “O papel para somarmos com essa luta. O governo federal está aqui junto aos vereadores para lutar pela permanência do Samba do Cruz”.
Assista à íntegra do debate aqui.


