Defesa do SUS

Conheça a luta de Luna Zarattini por umma saúde pública, gratuita, universal e de qualidade

O Sistema Único de Saúde (SUS) é uma das maiores conquistas da classe trabalhadora brasileira, fruto da intensa mobilização da Reforma Sanitária e consagrado na Constituição de 1988 como um direito de todos e um dever do Estado.

Mais do que um serviço de atendimento médico, o SUS representa um pilar fundamental da soberania, da justiça social e da dignidade do nosso povo.

Infelizmente, a realidade vivida em diversas cidades brasileiras fica muito distante do projeto constitucional. Em vez de fortalecer o caráter público e estatal da saúde, gestões municipais têm apostado na entrega dos serviços para a iniciativa privada por meio de Organizações Sociais (OSs).

O resultado dessa lógica mercadológica é sentido diariamente nas filas intermináveis, na falta de médicos, na escassez de remédios básicos e nas demoras absurdas para consultas com especialistas e exames.

Diante das cobranças e urgências da população, o papel do nosso mandato é atuar na fiscalização firme e na pressão constante sobre a Prefeitura e o Governo do Estado para que cumpram seus deveres.

A saúde não pode ser tratada como mercadoria, nem o Estado pode se eximir de sua responsabilidade.

O Fracasso do Modelo de OSs

O modelo de gestão por Organizações Sociais de Saúde (OSs) foi vendido com a promessa de eficiência e melhoria da qualidade, mas entregou a precarização dos serviços, do trabalho dos profissionais da saúde e o enfraquecimento do controle social.

Na cidade de São Paulo, mais de 80% do orçamento da saúde está nas mãos dessas entidades, transformando o setor em um balcão de negócios privados sustentado por bilhões de reais públicos. A gestão Ricardo Nunes escancarou a conivência com o desmonte ao editar a Portaria nº 225/2024, que reduziu as metas de qualidade e suspendeu penalidades às OSs em plena epidemia de dengue.

Em vez de fiscalizar e punir a falta de médicos e equipamentos quebrados, a Prefeitura optou por blindar as entidades privadas gestoras às custas da vida da população.

Propostas e Compromissos:

  • Lutar contra a privatização do SUS e exigir a revisão do modelo de gestão por Organizações Sociais, avançando na contratação direta e no fortalecimento do funcionalismo público.

  • Exigir fiscalização rigorosa, auditoria nos contratos com as OSs e punição por descumprimento de metas de atendimento.

Ampliação da Rede: Policlínicas e Solução para os Vazios Assistenciais

Para resolver o gargalo dos exames e consultas com especialistas, é fundamental investir no modelo de Policlínicas, que concentram em um único local atendimento especializado, diagnósticos rápidos e pequenos procedimentos.

No entanto, a gestão municipal atua na contramão das necessidades da população: Ricardo Nunes recusou a construção de duas Policlínicas na Zona Leste, região historicamente desassistida e que sofre com longas distâncias para o acesso aos cuidados médicos.

Além da falta de equipamentos, o custo do transporte ainda impede milhares de pessoas de comparecerem às consultas agendadas.

Propostas e Compromissos:

  • Lutar pela construção e ampliação de Policlínicas nos bairros periféricos, priorizando regiões com grandes vazios assistenciais.

  • Defender o Passe Livre da Saúde, garantindo cotas de passagens gratuitas no transporte coletivo para os usuários do SUS e seus acompanhantes durante o deslocamento para consultas e exames.

Saúde Mental e Cuidado Integral

A atenção psicossocial é uma das áreas mais afetadas pela negligência pública.

São Paulo conta com uma rede extremamente insuficiente de Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), especialmente na modalidade Infantojuvenil (CAPSi).

A escassez de equipes multiprofissionais e de médicos especialistas, como neuropediatras, gera uma demora para o diagnóstico precoce e acompanhamento de crianças e adolescentes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições do neurodesenvolvimento.

Além disso, o cuidado aos usuários de álcool e outras drogas não pode ser tratado com violência, internações compulsórias ou repasse de verbas para modelos asilares. É urgente defender a perspectiva antimanicomial e a estratégia de Redução de Danos, garantindo o cuidado em liberdade e o acolhimento comunitário.

A atenção à saúde mental não pode ser reduzida a uma prescrição rápida de medicamentos ou ao fortalecimento de lógicas de isolamento. Ela exige equipes multiprofissionais e acompanhamento contínuo nos territórios.

Propostas e Compromissos:

  • Defender a expansão massiva da rede de CAPS nas cidades, garantindo cobertura adequada para todas as regiões

  • Cobrar o credenciamento e a alocação de mais médicos e equipes multiprofissionais, inclusive via articulação com o programa Mais Médicos Especialistas do Governo Federal.

  • Lutar por contratação direta de trabalhadores por concurso público, acabando com a alta rotatividade, o assédio e a precarização impostos pelas Organizações Sociais.

Gestão Democrática e Controle Social

O avanço da lógica privatista e o aparelhamento de cargos técnicos por indicações políticas esvaziaram o controle social e a gestão democrática do SUS. 

A saúde pública de qualidade se constrói com a participação ativa de quem vive o dia a dia dos serviços: trabalhadores e usuários. 

A implementação de mecanismos de cogestão, colegiados gestores e a valorização do trabalho no SUS são antídotos contra o autoritarismo, a precarização das relações de trabalho e o sucateamento das Unidades Básicas de Saúde (UBSs).

Compromissos e Propostas:

  • Fortalecer os Conselhos Gestores de Saúde e garantir a participação deliberativa de usuários e trabalhadores na gestão das unidades públicas.

  • Fomentar práticas de cogestão e humanização do atendimento, enfrentando o assédio moral e a imposição de metas industriais que deshumanizam o trabalho em saúde.

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