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Caos da privatização dos trens em SP

Modelo de concessões acelerado por Tarcísio de Freitas enrique acionistas e deixa Zona Sul refém da ViaMobilidade

A política de privatização do transporte sobre trilhos em São Paulo, acelerada pela gestão de Tarcísio de Freitas, enfrenta forte contestação devido à precarização do serviço.

O principal foco de desgaste está na Zona Sul, região atendida pelas linhas 8-Diamante e 9-Esmeralda da CPTM. Sob gestão da concessionária ViaMobilidade desde 2022, o sistema acumulou tantas panes que a empresa acabou apelidada pela população de “Via Imobilidade”.

Longe de entregar a eficiência prometida, as linhas privadas registram quase o dobro de falhas em comparação com os trechos mantidos pelo poder público. A Linha 9-Esmeralda consolidou-se como a recordista de paralisações, castigando mais de 450 mil passageiros diários com superlotação e intervalos longos.

Os incidentes graves tornaram-se rotina: no fim de abril de 2026, um descarrilamento na Linha 9 interrompeu o fluxo e forçou o acionamento de ônibus da Paese pelo segundo dia útil consecutivo, expondo a falta de manutenção.

Em maio de 2026, o Ministério Público estadual abriu novo inquérito civil para investigar a concessionária por descumprimento do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado em 2023, após novos episódios de desalinhamento.

Dirigentes sindicais alertam que os intervalos entre trens no horário de pico saltaram de cinco minutos — quando era uma empresa pública — para até 15 minutos sob o controle privado, fruto do enxugamento de frotas e de pessoal técnico experiente.

O problema central reside no absurdo contrato, que garante o lucro absoluto das empresas por repasses governamentais desproporcionais. Enquanto a privada Linha 4-Amarela recebe R$ 3,60 por passageiro transportado, as linhas públicas operam com apenas R$ 2,07.

Esse desvio dos recursos públicos para os acionistas pressiona por aumentos nas tarifas e asfixia o Metrô e a CPTM pública, gerando um sucateamento programado para justificar novas privatizações.

O avanço neoliberal sobre a malha de trilhos transforma a mobilidade urbana em uma mercadoria altamente lucrativa para grupos financeiros, enquanto impõe à classe trabalhadora problemas diários.