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A LUTA CONTRA O INCINERADOR DE LIXO
Projeto prevê queima de lixo no antigo Aterro Bandeirantes, gerando fortes alertas de cientistas e ativistas
A região noroeste de São Paulo vive um cenário de forte tensão. Coletivos locais e moradores de Perus articulam uma resistência histórica contra a implantação da Unidade de Recuperação Energética (URE) Bandeirantes.
O projeto, liderado pela concessionária Loga sob as diretrizes da Prefeitura de São Paulo, pretende instalar uma usina de incineração com capacidade para queimar mil toneladas de resíduos diárias no terreno do antigo Aterro Bandeirantes, desativado desde 2007.
A comunidade denuncia a total falta de diálogo e exige a suspensão imediata do licenciamento ambiental até que sejam realizadas audiências públicas efetivas no território, apontando que a periferia não pode ser tratada como lata de lixo da cidade.
Especialistas e movimentos sociais, organizados na campanha “Incinerador de Lixo em Perus, Não”, alertam para os riscos estruturais da obra. O terreno escolhido, de 150 hectares, ainda apresenta emissões ativas de biogás e metano inflamável, o que impõe perigo real de incêndios e explosões no local.
Além disso, a área está situada a apenas sete quilômetros da Terra Indígena do Jaraguá e faz divisa com o Refúgio de Vida Silvestre do Parque Anhanguera, a segunda maior área verde da capital. Cientistas apontam que o tráfego pesado de caminhões e a dispersão contínua de dioxinas, fumaça tóxica e metais pesados resultantes da combustão vão comprometer gravemente a fauna, a flora e a saúde de crianças e idosos do entorno, aumentando o risco de doenças crônicas e respiratórias em comunidades historicamente vulneráveis.
Há também a preocupação de que afete diretamente as políticas de sustentabilidade urbana. Para manter os fornos acesos, o incinerador demanda materiais de alto poder calorífico, como papéis e plásticos. Ativistas apontam que essa dinâmica sabota o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, gerando uma competição predatória que desvia recicláveis e sufoca a renda de milhares de catadores integrados em cooperativas.
A prefeitura cita falsos modelos europeus, mas a verdade é que países como a Dinamarca planejam reduzir a incineração em 30% até 2030 devido às emissões de carbono, tornando o projeto um retrocesso para a periferia.