Presidente da Enel-SP, Max Xavier Lins depõe em CPI na Câmara

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Vereadora Luna Zarattini questionou se a Enel não teve acesso aos alertas meteorológicos e se não houve negligência por parte da empresa

CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) da Enel da Câmara Municipal de São Paulo ouviu, nesta quinta-feira (22/2), Max Xavier Lins, presidente da Enel-SP, concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica na capital paulista. O depoimento ocorre no âmbito das investigações sobre a demora no restabelecimento da energia na cidade após a tempestade ocorrida no dia 3 de novembro de 2023. Na ocasião, milhares de imóveis ficaram sem eletricidade por alguns dias na capital, afetando milhões de moradores.

Acompanhado do diretor de Infraestrutura e Redes da Enel, Vincenzo Ruotolo, do diretor de Mercado da empresa, André Osvaldo Dos Santos, e do advogado Rafael Borges, Lins fez na abertura de seu depoimento uma exposição sobre a Enel, infraestrutura da empresa, área de abrangência, quantidade de pessoas atendidas, energia consumida e distribuída, entre outras informações.

Um dado destacado referente à parte econômica da operação é de que a cada R$ 100, apenas R$ 20,90 são para cobrir custos da distribuição, cerca de um quinto do que é pago. O restante está dividido entre geração, tributos, encargos setoriais (impostos) e transmissão. Mesmo assim, o presidente da Enel-SP reforçou que, desde que a empresa assumiu a gestão da operação de distribuição elétrica, a partir de 2018, foram investidos mais de R$ 6,7 bilhões em manutenção e expansão da rede, com destaque para a melhoria tecnológica e as ferramentas de automação do trabalho.

Como resultado, afirmou, houve uma redução na duração e na frequência das interrupções de energia entre 2017 e 2022, segundo índices estabelecidos pela ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica). Outro avanço, disse, foi a melhora da Enel em rankings de desempenho de agências governamentais e de órgãos de controle, como o Procon-SP.

“É muito importante que nós não confundamos o filme com a foto. Nós temos uma foto do dia 3 que é uma foto difícil, é uma foto, sim, que causou os transtornos que nós vamos abordar na sequência. Mas isso não se confunde com o filme. O filme é um bom filme. Os investimentos seguem fazendo gradualmente efeito”, analisou Lins.

“O setor de energia elétrica, sobretudo a distribuição, possui três características: ele é capital intensivo; ele é de larga maturação; e ele é complexo. E as ações tomadas hoje vão se refletir ao longo do tempo, assim como as ações de hoje são reflexos, assim como os fatos de hoje são reflexos das ações tomadas no passado. E é por isso que esse segmento é um segmento que investe para décadas à frente”, completou.

Uma das situações apontadas como causadoras do problema de queda de energia é a vegetação urbana arbórea, que entra em contato com a fiação e pode provocar curtos-circuitos. Nesse sentido, o presidente da Enel-SP comentou que a responsabilidade pela poda e manejo dessa vegetação é de responsabilidade da Prefeitura, mas que a empresa firmou um convênio junto à administração municipal para também executar esse serviço, culminando em mais de 1,5 milhão de podas entre 2018 e 2022, e em 350 mil em 2023.

Sobre o evento climático do dia 3 de novembro, que provocou a interrupção do fornecimento de energia a 2,1 milhões de clientes na área de concessão da empresa, Lins pontuou que foi uma situação extrema, uma vez que estavam previstos ventos de até 55 km/h, mas que chegaram a até 105 km/h. “Isso é o nível 11 na escala de Beaufort, uma escala inglesa respeitada no mundo inteiro e que é só um nível anterior a furacão. Essa tempestade de nível 11 é qualificada como tempestade violenta ou tempestade destruidora e os impactos dela sobre a rede e a vegetação urbana foram enormes”, frisou.

Até pela excepcionalidade desse evento climático, argumentou o presidente da Enel-SP, o trabalho de restabelecimento da energia foi complexo. Ainda assim, “foi um trabalho bem-sucedido”, afirmou.  “A curva de restabelecimento pode parecer longa para quem ficou quatro, cinco dias sem energia, é verdade. A gente sabe, energia elétrica é essencial à vida urbana, às pessoas, às empresas, à indústria, etc. Agora, para o tamanho da dimensão, eu diria que a recuperação, tecnicamente falando com experiência de quem tem 38 anos de vida profissional no setor de energia elétrica, eu diria que foi um esforço sobre-humano para se conseguir isso. Poucas distribuidoras no Brasil teriam conseguido esse tempo de restabelecimento que foi obtido”, defendeu Lins.

“Aliás, a própria Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) levantou os dados das demais distribuidoras que atuam aqui e a gente pode ver que, em 24 horas, nós já tínhamos restabelecido 1,2 milhão de clientes, quase 60%; com 48 horas, 1,8 milhão de clientes restabelecidos, 88%; e com 72 horas, 97% dos clientes”, acrescentou, citando ainda as ações emergenciais realizadas no período.

Ainda sobre o evento climático do dia 3 de novembro e seus desdobramentos, o presidente da Enel-SP comparou-o com outro posterior, ocorrido nos dias 18 a 19 de novembro, e que quase não teve consequências, devido a uma mudança tanto no protocolo da empresa, quanto na comunicação com prefeituras, agentes públicos e a população.

Questionamentos

vereadora Luna Zarattini (PT) direcionou sua fala especificamente ao evento climático do dia 3 de novembro, trazendo informações coletadas em outros depoimentos e também na CPI da Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) que trata do mesmo tema. Entre outros pontos, ela questionou se a Enel não teve acesso aos alertas meteorológicos emitidos sobre o evento climático e se não houve negligência por parte da empresa em relação a isso.

Lins contrapôs o posicionamento da vereadora e defendeu a empresa. “Quero deixar muito claro aqui que nós não concordamos com a afirmação, vereadora Luna, de que houve negligência por parte da companhia, muito pelo contrário. Se a senhora for analisar com cuidado todos os dados de restabelecimento de energia elétrica, a senhora vai ver que foi um esforço hercúleo de uma empresa que não parou de trabalhar perante um evento destruidor”, ressaltou.

Sobre a CPI

Instalada no dia 9/11 de 2023, a CPI da Enel da Câmara Municipal de São Paulo tem o objetivo de investigar a atuação da Enel, concessionária responsável pelo fornecimento de energia elétrica na capital paulista, principalmente após a demora no restabelecimento da energia na cidade após a tempestade ocorrida no dia 3 daquele mês que, na ocasião, deixou milhares de imóveis sem eletricidade por alguns dias na capital.

 
 
 
 
 
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Publicado originalmente em Rede Câmara

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